segunda-feira, 3 de maio de 2010

História e vida de Vladimir Ilitch Lenin

Vladimir Ilitch Lenin ou Lenine, nascido em 22 de abril de 1870 em Simbirski e morreu aos 53 anos em 21 de Janeiro de 1924. Foi um revolucionário e chefe de Estado russo, responsável em grande parte pela execução da Revolução Russa de 1917, líder do partido Comunista, e primeiro presidente do Conselho dos Comissários do Povo da União Soviética. Influenciou teoricamente os partidos comunistas de todo o mundo, e suas contribuições resultaram na criação de uma corrente teórica denominada leninismo. Diversos pensadores e estudiosos escreveram sobre a sua importância para a história recente, entre eles o historiador Eric Hobsbawm, para quem Lenin teria sido “o personagem mais influente do século XX”.

Origens

[caption id="attachment_299" align="alignleft" width="200" caption="Lenin em 1887"][/caption]

Vladimir Ílitch Uliánov nascido em 22 de Abril de 1870, adotou posteriormente o nome de Vladimir Ilitch Lenin. Seu pai, Ilia Uliánov, foi inspetor das escolas da província de Simbirsk. Homem extremamente religioso, apoiava as reformas de Alexandre II e aconselhava os jovens a não caírem no radicalismo.

Durante a vida de Lenin, sua origem nobre foi largament ignorada; foi apenas quando Stalin desejou realizar uma mitologização de Lenin como um ente semidivino e fonte da legitimidade do seu próprio poder, que os problemas começaram. Segundo Orlando Figes e escolheram ressaltar, entre os antepassados de Lenin, seu avô paterno, Nikolai Uliánov, filho de um servo, que trabalhou como alfaiate em Astrakhan, no Volga. Apenas Nikolai era em parte calmuco (e sua mulher Anna, completamente. Lenin tinha feições claramente típicas dos mongóis) e isso era inconveniente para o nacionalismo grão-russo do regime stalinista. Sob este ponto de vista, os antepassados de Lenin do lado materno eram-lhe motivos de ainda mais constrangimento. Maria Alexandrovna, sua mãe, era a filha de Alexander Blank, um judeu converso, que se fez médico e dono de terras em Kazan. Ele era filho de Moiche Blank, um comerciante judeu de Volínia, que casou com uma sueca chamada Anna Ostedt. Os antepassados judeus de Lenin foram sempre ocultados pelo regime stalinista; quando foi sugerido a Stalin, por Anna Uliánov em 1945, que tais fatos pudessem ser usados para combater o anti-semitismo, Stalin ordenou que "nenhuma palavra" fosse repetida sobre isso.

Juventude


De acordo com Orlando Figes: "Ao contrário do mito soviético segundo o qual Lenin ainda de fraldas já era um avultado teórico do marxismo, o líder da revolução bolchevique entrou relativamente tarde para a política. Com 16 anos de idade ele era ainda religioso e não mostrava qualquer interesse na política. No liceu em Simbirsk, as suas principais cadeiras foram filologia clássica e literatura".

Por ironia do destino, o director do liceu de Simbirsk onde Lenin estudou foi Fiodor Kerenski, pai do futuro rival de Lenin, e que escreveu em 1887 (último ano de liceu de Lenin) um relatório exemplar sobre este jovem: "Religião e disciplina foram a base da sua educação, cujos frutos se tornam claros nas suas excelentes maneiras".

Ao terminar o liceu, nada indicava que Lenin se viria a transformar num revolucionário. Orlando Figes: "tudo indicava antes que ele iria seguir os passos do seu pai e fazer uma excelente carreira na burocracia czarista".

E ainda Figes: "Na sua juventude (Lenin) era orgulhoso de se poder designar como "filho de um nobre". Uma vez descreveu-se mesmo na polícia como "Vladimir Ulyanov, de nobre família". Após a morte de seu pai, sua família vivia confortavelmente dos arrendamentos e das vendas dos terrenos de sua mãe. No entanto, ele, como tantos outros jovens promissores de classe média da época, acabaria por alienar-se do regime czarista devido à severidade com que este agia para banir elementos tidos por politicamente suspeitos.

O irmão


[caption id="attachment_300" align="alignleft" width="180" caption="Kamenev e Lenin em 1922"][/caption]

O irmão mais velho de Lenin, Alexandre Uliánov, ainda com 21 anos, um estudante em São Petersburgo, envolveu-se no grupo de extrema esquerda Pervomartovtsi e foi um dos cúmplices numa das muitas tentativas de assassinar o Czar Alexandre III da Rússia. Foi condenado à morte em 1887. Isto teria grandes consequências para o irmão, que se radicalizaria nos anos seguintes.

Estudos de direito em Kazan


Nesse ano de 1887, Lenin, com 17 anos de idade, foi estudar direito em Kazan. Ali, logo tomou contacto com um outro grupo de revolucionários moldados no Vontade do Povo. Ainda nesse ano, foi preso, juntamente com outros, numa manifestação de estudantes movida por reivindicações de cunho estritamente acadêmico. Como consequência, foi-lhe proibida a continuação dos estudos. Em 1890 foi readmitido na Universidade, porém apenas como estudante "externo" autorizado a prestar exames anuais, mas não a frequentar a universidade.




Doutrinação


Lenin e Stalin


Foi nestes anos que Lenin se tornou um marxista. Sua primeira grande paixão revolucionária, no entanto, foi Tchernichevski e em particular sua obra Que fazer?, que o "converteu" definitivamente ao ideal revolucionário, anos antes de ter lido Marx. A obra de Tchernichevski falava da criação de um "novo homem" russo através da auto-disciplina e da auto-estilização, capaz de superar o que o senso comum da época considerava serem os traços comuns da "alma" russa, a passividade, a melancolia e o alcoolismo. Em Lenin, nos seus primeiros anos de marxista, existe uma convicção de que o desenvolvimento capitalista da Rússia seria uma pré-condição necessária do socialismo, na medida em que apenas a modernização industrial da Rússia, o desenvolvimento da disciplina associada à generalização do trabalho industrial assalariado, seriam capazes de elevar a consciência política do povo russo a níveis tais que tornassem possível a derrubada da autocracia czarista e a constituição de uma república democrática - contrariamente às teses dos populistas, que consideravam que o socialismo russo se desenvolveria nos quadros da comuna camponesa tradicional. Esta associação da modernidade ao capitalismo industrial, no entanto, não era uma idéia original de Lenin. Já encontrava-se nas obras do fundador do marxismo russo, Plekhanov, ao qual ele se associaria no seu primeiro exílio, no início do século XX, como redator do jornal da emigração marxista (social-democrata) russa no exílio, o 'Iskra' (centelha).


A originalidade de Lenin manifestar-se-ia na discussão sobre os estatutos do Partido Operário Social Democrata Russo, em 1903, quando do segundo congresso deste partido, no qual Lenin argumentou pela constituição de um partido centralizado e dirigido por intelectuais com intensa formação teórica marxista, em oposição à tese de um partido organizacionalmente frouxo, que limitasse-se a se enquadrar à atividade sindical do movimento operário. Para Lenin, a mera agitação sindical, desprovida de uma base doutrinária voltada para o socialismo, acabava por reduzir-se a reivindicações parcelárias por maiores salários e menos horas de trabalho, que aceitavam a exploração capitalista enquanto tal, visando apenas minorá-la. Para que tal agitação levasse à refundação socialista da sociedade burguesa, seria necessário a existência de marcos teóricos claros, associados não apenas aos interesses específicos da classe operária, mas de todas as questões sociais, políticas, culturais, religiosas etc., referentes à situação concreta da sociedade como um todo. Neste sentido, a consciência socialista, que os sindicalistas supunham ser um traço ontológico da classe operária, para Lenin só poderia chegar à mesma classe operária 'de fora' dela mesma, mediante o trabalho teórico e de agitação de intelectuais de classe média.


[caption id="attachment_302" align="alignnone" width="180" caption="Lenin"][/caption]



Guerra Civil


Dmitri Volkogonov afirma que durante a guerra civil Lenin ordenou a seus comandantes o fuzilamento de transgressores por uma ampla variedade de crimes, como participação em conspiração, resistência à prisão, ocultamento de armas, desobediência, comportamento atrasado, atuação descuidada e falsos testemunhos, contribuindo, com suas ordens e instruções, para exacerbar a crueldade.


O terror


Dmitri Volkogonov também afirma que a idéia do sistema de campos de concentração (os Gulags), e os terríveis expurgos dos anos 1930, são normalmente associados ao nome de Stalin, mas o verdadeiro "pai" dos campos de concentração bolcheviques, as execuções, e o terror em massa, era Lenin. Nos antecedentes do terror implantado por Lenin, se torna fácil entender os métodos inquisitoriais de Stalin, o qual era capaz de executar alguém apenas baseado em suposições.


O Terror Vermelho era crucial na luta de Lenin pelo poder, segundo Anne Applebaum, e os campos de concentração eram cruciais para esta política. Eles foram mencionados no primeiro decreto do Terror Vermelho, que demandava a detenção e prisão de importantes representantes da burguesia, donos de terras, industriais, comerciantes, padres contra-revolucionários, e oficiais anti-soviéticos, e estabelecia o seu isolamento em campos de concentração.


Críticas


A principal crítica feita contra Lenin, é em relação à sua suposta participação na construção do Estado policial autoritário nos primórdios da União Soviética, processo este que mais tarde foi seguido e aprimorado por Stalin. Outros sectores baseiam-se na conquista de liberdades que se seguiu à vitória bolchevique (autodeterminação, distribuição de terras aos camponeses pobres, leis do divórcio e do aborto, liberdade de criação artística, etc) para situar a ruptura ditatorial com essa dinâmica precisamente na morte de Lenin e a consolidação do poder da burocracia.


Na primeira visão, afirma-se que em maio de 1919, 16 mil pessoas foram confinadas em um antigo campo czarista de trabalhos forçados chamado Katorga, e que em setembro de 1921 foram enviadas mais de 70 mil.


Outros dados sem documentar falam de entre 50 mil a 200 mil execuções sumárias de "inimigos da classe" durante o regime de Lenin. Durante a Guerra Civil, em 1918, seriam executados o Czar Nicolau II e toda a família imperial, sob suas ordens. Destaca-se também a repressão à revolta dos marinheiros de Kronstadt (Março de 1921), que resultaria na morte e na deportação de milhares de marinheiros. Os factos são controversos, já que também do lado bolchevique houve 10.000 vítimas no confronto com os alçados de Kronstadt.


Segundo grande parte de seus muitos defensores, como o norte-americano John Reed ou o belga Victor Serge, biógrafo de Lenin, o seu papel de organizador e diretor da primeira revolução proletária triunfante não impediu que tentasse evitar "a efusão de sangue" no caminho à vitória.


Victor Serge, vítima da repressão stalinista e testemunha direta do processo revolucionário e exilado da URSS em 1936, culpam explicitamente Lenin pela deriva repressiva e reconhece a sincera entrega da velha guarda bolchevique à causa da revolução mundial. Reconhecendo erros no Partido Bolchevique, apoia a experiência revolucionária russa, se bem que afirme que as novas lutas anticapitalistas deverão assumir novas formas no futuro.


Após sua morte, em 1924, seu corpo foi embalsamado e atualmente, assim como durante todo o período soviético, é exposto em seu mausoléu, na Praça Vermelha em Moscou.




Principais Obras


Que fazer? (1902)


Que fazer? (as questões palpitantes do nosso movimento) é um livro de Vladimir Lenin escrito entre outubro de 1901 e fevereiro de 1902, publicado em março deste mesmo ano, onde o autor, através da crítica a uma recente ala dentro do movimento social-democrata russo, o economismo (como Lenin o chama), discute questões práticas acerca da revolução socialista no então cenário da Rússia czarista.


Este livro, que foi precedido por um artigo da revista Iskra, "Por onde começar", publicado em maio de 1901, se norteia, segundo o próprio autor, por três pontos básicos:



  1. o conteúdo da ação política do movimento social-democrata russo;

  2. a organização desta ação;

  3. a construção de uma organização de combate para toda a Rússia;


No entanto, a cisão de tal movimento entre a ala revolucionária e a chamada economicista, estendeu tais pontos para mais dois: uma reflexão acerca da expressão "liberdade de crítica", então em voga nos meios socialistas esquerdistas, e o papel da social-democracia russa com relação ao movimento espontâneo das massas.


Este livro, sem muito aprofundamento teórico, buscava tratar de questões práticas para o movimento socialista não se perder em meio ao desmoronamento do regime czarista. Confrontando-se com vias do socialismo moderado e reformista, bem como à teorias liberais mais radicais, Lenin descreve qual a ação política necessária para dar um caráter revolucionário às transformações que ocorriam na Rússia de então.




O Estado e a Revolução


O estado e a revolução (o que ensina o marxismo sobre o Estado e o papel do proletariado na revolução) é um livro de Vladimir Lenin publicado em setembro de 1917, às vésperas da Revolução de Outubro liderada pelo partido Bolchevique.


No livro Lenin discute a teoria marxista em diálogo com os anarquistas e especialmente aqueles a que chama de oportunistas, os pensadores e partidos socialistas que tendiam a uma interpretação de evolução gradual do capitalismo ao socialismo defendendo os meios parlamentares como legítimos quando não únicos para a luta do proletariado frente aos capitalistas.


Entre os pensadores mais discutidos se encontram Karl Kautsky, Plekhânov e Bernstein. Entre os partidos estão os socialistas-revolucionários e mencheviques da Rússia, então, em crise, assim como a ala reformista da social-democracia alemã.


A todos Lenin atribuiu o erro de distorcer as palavras de Marx sobre a revolução da sociedade capitalista para a comunista e de se lançarem em defesa de teorias nacionalistas que vão contra as teses esseciais da luta dos trabalhadores, i.e. o internacionalismo, além de moderarem seus discursos com vistas a cadeiras nos parlamentos burgueses.


Contra os anarquistas, Lenin, apesar de concordar com os fins últimos destes, dizia que não compreendiam as fases reais da transformação social. Os anarquistas, ao advogarem a abolição pura e simples do Estado e de seu aparato militar e burocrático, não teriam entendido as lições da Comuna de Paris em que se fazia necessário a manutenção de funções administrativas de um estado, que enquanto tal, não seria um estado propriamente dito, ou seja, a organização sistemática da violência de uma minoria dominante sobre uma maioria dominada.


No caso do Estado constituído pela ditadura do proletariado, aí sim existiria uma verdadeira democracia: toda a sociedade, ou sua maior parte, teria acesso a governança. Além do que o povo em armas, constituído em milícias, seria responsável pela repressão da contra-revolução perpetrada inevitavelmente pelos seguimentos da burguesia reacionária que tentariam acabar com o desenvolvimento da revolução socialista no caso de uma sua vitória incial. Além do que, o "Estado" proletário não poderia ser perpetuado com a tomada de algumas medidas essenciais para seu futuro definhamento: a destruição do seu aparato burocrático e militar permanente; todas as funções públicas deveriam ser de mandato imperativo e revogável a qualquer momento; nenhum cargo público deveria ser gratificado com um salário maior que o de um operário; e a substituição do parlamento burguês, este dado ao "falatório", por um proletário que concentraria as funções legislativas e executivas;




Mais informações


Vladimir Ilitch Lenin



1º presidente do Partido Bolchevique e líder da União Soviética

Mandato: 8 de novembro de 1917 a 21 de janeiro de 1924


Nascimento: 22 de abril de 1870 - Simbirski, Império Russo

Falecimento: 21 de janeiro de 1924 (53 anos) - Gorki, União Soviética

Nacionalidade: Russa

Primeira-dama: Nadežda Krupskaja

Partido: Partido Bolchevique

Religião: Ateísmo

Profissão: Revolucionário, político

Assinatura:



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Atenciosamente,

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Fonte: WikiPedia

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